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Sal mineral ou proteinado: qual usar em cada época do ano

Nutrição e suplementação · Proteinado e energético · Publicado em 07/10/2026 · 11 min de leitura

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Sal mineral ou proteinado? Depende da época e do que você quer do boi. Nas águas, o pasto costuma dar conta do ganho, e o sal mineral repõe o que falta de mineral. Na seca, o que trava o boi é a falta de proteína do capim, e o proteinado ajuda o animal a aproveitar o pasto seco, desde que tenha pasto. O energético entra quando a meta é ganhar mais ou terminar mais rápido, e só compensa com a conta feita.

A formulação e o plano de cada lote se definem com o zootecnista, veterinário ou nutricionista.

O que é sal mineral, proteinado e energético

Sal mineral. Fornece os minerais que o pasto não entrega. Em pastagens brasileiras, a maior preocupação é o fósforo; o sódio também precisa vir pelo sal (Embrapa Gado de Corte, 2001).

Proteinado (ou mistura múltipla). Junta proteína, ureia, energia e minerais, com sal comum para limitar o consumo. Ele não serve para atender direto a proteína do boi: alimenta as bactérias do rúmen (o estômago onde o capim é digerido). Com elas bem alimentadas, o animal digere melhor e come mais pasto (Embrapa Gado de Corte, 2006).

Energético ou proteico-energético (concentrado). Leva mais grão e é consumido em quantidade maior. Serve para garantir ganho de peso em qualquer época (Embrapa, 2006 e 2019). Na ponta alta está a ração de semiconfinamento.

A ASBRAM, associação da indústria de suplementos minerais, contou cerca de 65 milhões de cabeças de corte e de leite suplementadas no 1º trimestre de 2026 (abril de 2026).

Por que a época muda tudo: águas e seca

No Brasil Central, a seca derruba o crescimento do capim, e o que sobra envelhece e perde qualidade. Mesmo com pouca lotação, o boi perde peso ou ganha muito pouco. Na seca, o nutriente que mais falta é a proteína, que afeta a digestão e o consumo do pasto (Embrapa, 2001 e 2019).

As fontes não dão um número único, mas apontam na mesma direção: abaixo de 6 a 7% de proteína bruta (a proteína total do capim, medida em análise de laboratório), o pasto passa a limitar a digestão da fibra (Embrapa Gado de Corte, 2006; Embrapa Acre, 2017; UFV, Revista Brasileira de Zootecnia, 2009). É aí que o proteinado "destrava" o capim seco.

Nas águas, os animais "normalmente" já ganham mais de 400 g por dia, e qualquer suplementação deve ser analisada "exaustivamente" contra a meta (Embrapa, 2001).

O pré-requisito é pasto. A Embrapa (2019) fala em 4 a 6 toneladas de matéria seca por hectare no início da seca e lotação perto de 1 UA/ha (unidade animal, 450 kg de peso vivo). Por isso, vede pastos antes da seca. Suplemento usado para corrigir excesso de animais "normalmente não cobre os gastos com ele" (Embrapa, 2006).

Sal mineral ou proteinado: qual usar em cada época e objetivo

O consumo abaixo é a faixa da categoria descrita pelas fontes, não uma dose para o seu gado. Os ganhos são "da ordem de" e dependem do pasto.

Suplemento Objetivo principal Consumo típico da categoria Ganho descrito pela fonte Custo e risco
Sal mineral Repor os minerais que faltam no pasto "De maneira geral", 55 a 70 g por dia num bovino adulto (coluna no clipping da Embrapa, 2014) Não é suplemento de ganho; na seca, recria e engorda rendem pouco mesmo com bom mineral (mesma coluna) Consumo baixo; o custo depende do produto
Sal mineral com ureia Manter o peso na seca Cerca de 100 g por UA por dia (Embrapa, 2019) Manutenção; com consumo baixo, desempenho "aquém do desejado" (Embrapa, 2001) Menor investimento de seca; exige cuidado com ureia
Proteinado de seca Reduzir perda, manter ou ganhar pouco 1 a 2 g por kg de peso vivo por dia (0,1 a 0,2% do PV) (Embrapa, 2006 e 2019) 200 a 400 g/dia, em pasto com boa massa e 1 UA/ha (Embrapa, 2019) Mais caro por kg que o sal com ureia, mas "costuma ter a melhor relação custo-benefício" (Embrapa, 2019)
Proteinado de águas Somar ganho ao ganho da época Cerca de 1 g por kg de PV por dia, como o de seca (Embrapa, 2006) Cerca de 100 a 200 g/dia a mais (Embrapa, 2006) Só com conta feita; indicado quando falta proteína no rúmen, mais comum em braquiária que em panicum
Proteico-energético Garantir ganho em qualquer época 2 a 15 g por kg de PV, conforme a meta (Embrapa, 2006) Nas águas, cerca de 200 g/dia a mais (Embrapa, 2001) Substitui parte do pasto; só compensa se for barato
Semiconfinamento Adiantar a terminação a pasto Cerca de 1% do PV (Embrapa, 2019) 700 a 1.000 g/dia (Embrapa, 2019) "A alternativa de maior risco econômico" (Embrapa, 2019)

O que as fontes reforçam:

Ureia: os cuidados que evitam morte no cocho

A ureia barateia o proteinado: as bactérias do rúmen a transformam em proteína. Mas suplementos só com ureia e mineral "não têm resultado em desempenhos consistentes" (Embrapa, 2001). Um bom proteinado traz também uma fonte de enxofre junto com a ureia (Embrapa, 2019).

Excesso de ureia intoxica e pode matar. Os sinais aparecem geralmente em menos de uma hora: muita baba, tremores, inquietação, urina e fezes toda hora, respiração ofegante, falta de coordenação, pernas rígidas e colapso (Embrapa, Pereira e colegas, 2008). Em suspeita de intoxicação, chame o veterinário imediatamente.

Cuidados citados pelas fontes da Embrapa:

Manejo de cocho: espaço, frequência e consumo

Espaço de cocho é para todo o lote comer, sem briga. As fontes da Embrapa variam um pouco:

Suplemento Espaço por animal Fonte
Sal mineral com ureia Mínimo de 6 cm Embrapa, 2019
Proteinado de seca 12 a 15 cm Embrapa, 2006 e 2019
Proteinado de águas ou para vaca de cria 20 cm Embrapa, 2001 e 2006
Concentrado 40 a 50 cm Embrapa, 2001
Semiconfinamento 50 a 60 cm, no mínimo Embrapa, 2019

Frequência. Sal mineral: pouco e reposto a cada 3 dias, porque o gado prefere mineral fresco (coluna no clipping da Embrapa, 2014). Sal com ureia: no máximo a cada 3 dias, porque a ureia puxa umidade (Embrapa, 2008). Proteinado: nunca mais que uma semana de intervalo, sem deixar o animal sem por mais de um dia (Embrapa, 2019).

Meça o consumo. Fazer o consumo do proteinado ficar perto do planejado é um dos maiores desafios, e o mesmo produto varia entre lotes parecidos (Embrapa, 2019). Olhe as sobras nos primeiros dias. Se fugir do planejado, ajuste com o técnico ou o fornecedor.

Na troca para o proteinado, confira se o lote já recebia mineral. Durante o proteinado, não precisa de mineral à parte: ele já vem incluído (Embrapa, 2006).

Como saber se o suplemento compensa

A escolha "deve ser baseada nos custos do suplemento e do produto, bem como dos objetivos do produtor" (Embrapa, 2019). E o gasto pode ser grande: no Campo Futuro da CNA em Santana do Araguaia (PA), em agosto de 2025, a suplementação mineral foi 51,3% do custo operacional efetivo (COE) de uma fazenda típica de ciclo completo. É um caso, não média nacional.

Num estudo de terminação na seca da Embrapa Acre (2017), o nível mais alto de energético deu o boi mais pesado, mas não o maior lucro; o melhor foi o nível mais baixo testado. A régua foi o custo por arroba.

A conta é a mesma do custo por arroba produzida, aplicada só ao que o suplemento acrescenta:

Custo da @ a mais = custo extra por cabeça-dia × 30 ÷ ganho extra em kg/dia

O 30 é a conversão de peso vivo em arroba usada pelo Meu Agro: 30 kg de peso vivo ≈ 1 @ (15 kg de carcaça).

Exemplo ilustrativo, com números redondos:

Custo extra por boi: R$ 1,50 × 120 = R$ 180. Ganho extra por boi: 0,25 × 120 = 30 kg = 1 @. Custo de cada arroba a mais: R$ 1,50 × 30 ÷ 0,25 = R$ 180. Aqui os dois dão R$ 180 porque o boi ganhou exatamente 1 @ a mais.

Se a arroba vale R$ 300, sobram R$ 120 por boi, ou R$ 12.000 no lote. Agora, se o pasto for fraco e o ganho extra cair para 0,1 kg/dia, são 12 kg = 0,4 @ por boi, e cada arroba a mais custa R$ 180 ÷ 0,4 = R$ 450. Mais do que vale.

Com os seus números, use só a diferença: quanto o suplemento novo custa por cabeça-dia a mais que o anterior, e quanto o GMD (ganho médio diário) do lote subiu na balança. O custo por cabeça-dia completo do lote, com o suplemento dele, mostra o quadro inteiro. Não misture as duas contas: o custo de toda a @ produzida sai do custo total por cabeça-dia junto com o GMD total do lote (a conta do custo por arroba produzida); custo extra vai com ganho extra. Dividir o custo total só pelo ganho extra dá um número que não quer dizer nada. No Meu Agro, você cadastra sal, proteinado, ração e ureia no Estoque e registra o fornecimento por lote. Esse gasto entra no custo por cabeça-dia do lote, e com as pesagens o app mostra o GMD e o custo por @ produzida.

Erros comuns

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre sal mineral e proteinado?

O sal mineral repõe minerais. O proteinado leva também proteína e ureia para as bactérias do rúmen, e o boi digere e come mais pasto seco.

Proteinado na seca funciona em qualquer pasto?

Não. Precisa de boa massa de capim, mesmo seco (Embrapa, 2006 e 2019). Vedar pastos antes da seca é parte do plano.

Vale dar proteinado nas águas?

Pode somar cerca de 100 a 200 g por dia ao ganho da época (Embrapa, 2006). Como o boi já ganha bem nas águas, faça a conta antes.

Quanto de proteinado o boi deve comer?

A Embrapa (2006 e 2019) descreve o proteinado de baixo consumo na faixa de 1 a 2 g por kg de peso vivo por dia. O plano do seu lote é definido com o zootecnista.

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