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Calendário de vacinação do gado de corte em 2026: o que mudou

Sanidade · Calendário de vacinação · Publicado em 07/10/2026 · 11 min de leitura

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O calendário de vacinação do gado de corte em 2026 mudou em dois pontos: a vacina de aftosa saiu de vez e a de brucelose ganhou uma campanha nacional com prazos fixos. Continua obrigatório vacinar as bezerras contra brucelose (exceto nos estados classificados como risco A) e avisar o serviço oficial na hora sobre qualquer suspeita de aftosa ou raiva. A vacina contra raiva e a declaração de rebanho dependem do seu estado.

Regras e datas variam por estado. Confirme com seu médico-veterinário e com a defesa sanitária do seu estado (IMA/MG, Agrodefesa/GO, Iagro/MS, CDA/SP, Adapar/PR, CIDASC/SC). Dose, produto e protocolo são decisão do veterinário.

O que é obrigatório, o que depende do estado e o que é recomendado

Obrigatório no país Depende do estado ou do município Recomendado (decisão técnica)
Vacina de brucelose nas bezerras de 3 a 8 meses (exceto UFs de risco A) Vacina contra raiva Clostridioses (carbúnculo sintomático, botulismo)
Notificar na hora suspeita de aftosa e de raiva Declaração de rebanho e seus prazos Vacinas reprodutivas (IBR, BVD, leptospirose)
Não vacinar contra aftosa Regras próprias de brucelose (ex.: SC) Vermifugação e controle de carrapato

O que mudou com o fim da vacina de aftosa

Em 29/05/2025, na 92ª Assembleia Geral da OMSA (Organização Mundial de Saúde Animal), o Brasil inteiro foi reconhecido como zona livre de febre aftosa sem vacinação, segundo a Defesa Agropecuária de SP. O último caso foi em 2006.

A retirada foi em etapas: em SP, a última campanha foi em novembro de 2023; em AP, BA, MA, PA, RJ, RR e SE, a última etapa estava prevista para abril de 2024 (Defesa Agropecuária SP, janeiro de 2024). A Portaria MAPA nº 678, de 30/04/2024, proibiu armazenar, vender e usar vacina contra aftosa em 21 estados e no Distrito Federal, e também a entrada de animais vacinados neles.

O que ficou para você:

Outro efeito, apontado pela Nota Técnica 11/2023 da FAMEZ/UFMS: era comum dar vermífugo e outras vacinas junto com a aftosa, em maio e novembro. Esse "gancho" acabou.

Vacinas obrigatórias hoje: brucelose

Quem vacina. Pela Instrução Normativa SDA nº 10/2017, é obrigatório vacinar todas as fêmeas bovinas e bubalinas de 3 a 8 meses, em dose única. A norma usa a vacina B19, que em bovinos pode ser trocada pela RB51. São dois tipos de vacina de brucelose; a RB51 não interfere nos exames de rotina depois (FAMEZ/UFMS, 2023). Estados classificados como risco "A" ficam fora da obrigação.

O que é proibido. Vacinar macho de qualquer idade e usar B19 em fêmea com mais de 8 meses. Bezerra que passou dos 8 meses sem vacina deve ser regularizada com RB51 (IN 10/2017).

Quem aplica. Médico-veterinário cadastrado no serviço estadual é o responsável, mesmo quando usa vacinadores auxiliares. A vacina só é vendida com receita de veterinário cadastrado (IN 10/2017).

Marcação. As fêmeas vacinadas são marcadas no lado esquerdo da cara, a ferro quente ou nitrogênio líquido. Com B19, marca-se o último algarismo do ano. Com RB51, a letra "V". Há dispensa para fêmeas identificadas individualmente por sistema aprovado e para as de registro genealógico identificadas (IN 10/2017).

Comprovação. O dono tem de comprovar a vacinação ao serviço estadual pelo menos uma vez por semestre, com atestado do veterinário ou por sistema oficial (IN 10/2017).

A campanha nacional de 2026

A grande novidade do ano é a Portaria SDA/MAPA nº 1.633, de 12/06/2026 (publicada no Diário Oficial em 15 e 16/06/2026). Ela criou a Campanha Nacional de Vacinação de Bezerras contra a Brucelose, com dois períodos fixos:

Período de vacinação Prazo para comprovar
Janeiro a junho Até 10 de julho
Julho a dezembro Até 10 de janeiro do ano seguinte

Estados com campanha própria podem manter seus prazos de comprovação, mas o período de vacinação segue o nacional. UFs de risco A estão fora. Em SP, o veterinário lança o atestado no GEDAVE em até 4 dias após vacinar (Defesa Agropecuária SP, dezembro de 2025). Em Santa Catarina, a CIDASC proíbe a B19 e só exige a vacina em rebanho com foco (site da CIDASC, consultado em outubro de 2026).

Segundo a FAMEZ/UFMS (2023), as duas vacinas são vivas e podem infectar quem aplica: use EPI (equipamento de proteção individual). Os prazos de comprovação podem ser outros no seu estado: confirme com o veterinário cadastrado e com a defesa sanitária estadual.

Raiva: quando a vacina é obrigatória

Pela Instrução Normativa MAPA nº 5/2002, a vacinação é sistemática nas áreas de ocorrência de raiva, que são as que tiveram caso confirmado nos 2 anos anteriores, em bovídeos (bois e búfalos) e equídeos a partir de 3 meses. Cada estado define as suas áreas:

Confirme com seu veterinário e com a defesa sanitária do seu estado se o seu município está em área de vacinação obrigatória.

Em qualquer estado, avisar na hora suspeita de raiva, animal mordido por morcego e abrigo de morcego é obrigatório (IN 5/2002).

Um alerta da FAMEZ/UFMS: a incubação vai de 14 a 60 dias, então vacinar só quando o vizinho teve caso costuma ser tarde. A vacina só protege se a dose e o reforço vierem antes da exposição.

Vacinas recomendadas: clostridioses e reprodutivas

Não há obrigação legal. A escolha depende das doenças da região e da fazenda e do custo-benefício (FAMEZ/UFMS, 2023).

Como montar o calendário de vacinação do gado de corte na sua fazenda

A dica mais útil da FAMEZ/UFMS: amarre o manejo sanitário às idas ao curral que você já faz, como desmama, diagnóstico de gestação, IATF (inseminação artificial em tempo fixo) e a vacina de brucelose das bezerras. Cada ida ao curral custa peso.

Modelo geral para o Brasil Central, ilustrativo. Ajuste com o seu veterinário ao seu estado, região e sistema:

Quando Categoria O que entra Fonte
Jan–jun e jul–dez Bezerras de 3 a 8 meses Brucelose; comprovar até 10/07 e 10/01 Portaria SDA/MAPA 1.633/2026
Maio e novembro (SP e GO) Todo o rebanho Declaração de rebanho CDA/SP, Agrodefesa/GO
Maio, julho e setembro Da desmama até 24–30 meses Vermifugação estratégica Embrapa (1995)
Julho ou agosto Vacas Vermifugação, antes do pico de parição Embrapa (1995)
A partir de setembro Touros e vacas Preparo da monta (nov–jan): exame andrológico e testes dos touros Embrapa (1998)
Fim da seca / início das chuvas Rebanho Controle estratégico do carrapato Embrapa (2019)
Desmama Bezerros Reforços que o veterinário indicar FAMEZ/UFMS (2023)
Antes de vencer a imunidade (a IN 5/2002 fala em até 12 meses) Rebanho em área de raiva Revacinação, no intervalo que o veterinário e a defesa do seu estado indicarem IN MAPA 5/2002 e regra estadual

Cuidado, segundo a FAMEZ/UFMS: produto com adjuvante oleoso pode atrapalhar a gestação. Leia a bula antes de aplicar algo na IATF ou no diagnóstico de gestação.

No Meu Agro, você cadastra vacinas e remédios e registra o manejo sanitário em Rebanho → Sanitário, e o app avisa quando chega a data no calendário.

Vermifugação e carrapato no calendário

Doença não é só a que mata. Verme e carrapato derrubam o GMD (ganho médio diário) antes de aparecer qualquer sinal.

Verminose. Segundo a Embrapa Gado de Corte (1995), quem mais perde é a categoria da desmama até 24–30 meses, e o esquema estratégico é tratar em maio, julho e setembro, na seca. Boi de engorda recebe vermífugo na entrada do pasto vedado ou do confinamento. A FAMEZ/UFMS (2023) lembra que esse esquema se apoiava nas datas da aftosa e precisa ser reajustado em cada fazenda.

Carrapato. A Embrapa (2019) recomenda tratar no fim do período desfavorável ao carrapato (fim da seca, início das chuvas), quando há poucas larvas no pasto, antes que a população cresça. A FAMEZ/UFMS sugere olhar o lote toda semana e, já nas chuvas, tratar quando mais de 30% dos animais tiverem carrapatos pequenos (menos de 4 mm) entre as pernas ou na barbela. A resistência muda de fazenda para fazenda; o produto é escolha do veterinário.

Vacinas, vermífugos e carrapaticidas entram no seu custo por cabeça-dia. Quando funcionam, o ganho a mais baixa o custo por arroba produzida.

Identificação individual: o que vem a partir de 2027

A Portaria SDA/MAPA nº 1.331, de 21/07/2025, fixou o cronograma do PNIB (Programa Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos):

Os estados podem antecipar prazos ou exigir mais. Ou seja: as bezerras vacinadas contra brucelose estarão entre as primeiras a precisar de identificação individual.

Erros comuns

Perguntas frequentes

Ainda preciso vacinar o gado contra aftosa?

Não. Desde 29/05/2025 o país é livre sem vacinação (OMSA). A Portaria MAPA nº 678/2024 proibiu usar, vender e guardar a vacina nos 21 estados e no Distrito Federal que ela lista — entre eles SP, GO, MG, MT e MS.

Minha bezerra passou dos 8 meses sem vacina. E agora?

Pela IN 10/2017, ela deve ser regularizada com RB51. Fale com o veterinário cadastrado.

A vacina contra raiva é obrigatória na minha fazenda?

Depende do estado e do município. Pergunte à defesa sanitária se a sua região é área de ocorrência.

O próprio peão pode vacinar contra brucelose?

Só como vacinador auxiliar cadastrado por um médico-veterinário cadastrado, que continua responsável (IN 10/2017).

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