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Calendário de vacinação do gado de corte em 2026: o que mudou
O calendário de vacinação do gado de corte em 2026 mudou em dois pontos: a vacina de aftosa saiu de vez e a de brucelose ganhou uma campanha nacional com prazos fixos. Continua obrigatório vacinar as bezerras contra brucelose (exceto nos estados classificados como risco A) e avisar o serviço oficial na hora sobre qualquer suspeita de aftosa ou raiva. A vacina contra raiva e a declaração de rebanho dependem do seu estado.
Regras e datas variam por estado. Confirme com seu médico-veterinário e com a defesa sanitária do seu estado (IMA/MG, Agrodefesa/GO, Iagro/MS, CDA/SP, Adapar/PR, CIDASC/SC). Dose, produto e protocolo são decisão do veterinário.
O que é obrigatório, o que depende do estado e o que é recomendado
| Obrigatório no país | Depende do estado ou do município | Recomendado (decisão técnica) |
|---|---|---|
| Vacina de brucelose nas bezerras de 3 a 8 meses (exceto UFs de risco A) | Vacina contra raiva | Clostridioses (carbúnculo sintomático, botulismo) |
| Notificar na hora suspeita de aftosa e de raiva | Declaração de rebanho e seus prazos | Vacinas reprodutivas (IBR, BVD, leptospirose) |
| Não vacinar contra aftosa | Regras próprias de brucelose (ex.: SC) | Vermifugação e controle de carrapato |
O que mudou com o fim da vacina de aftosa
Em 29/05/2025, na 92ª Assembleia Geral da OMSA (Organização Mundial de Saúde Animal), o Brasil inteiro foi reconhecido como zona livre de febre aftosa sem vacinação, segundo a Defesa Agropecuária de SP. O último caso foi em 2006.
A retirada foi em etapas: em SP, a última campanha foi em novembro de 2023; em AP, BA, MA, PA, RJ, RR e SE, a última etapa estava prevista para abril de 2024 (Defesa Agropecuária SP, janeiro de 2024). A Portaria MAPA nº 678, de 30/04/2024, proibiu armazenar, vender e usar vacina contra aftosa em 21 estados e no Distrito Federal, e também a entrada de animais vacinados neles.
O que ficou para você:
- Vigiar e avisar. Pela Instrução Normativa MAPA nº 50/2013, suspeita de aftosa exige notificação imediata ao serviço veterinário oficial, em até 24 horas numa zona livre. Sinais, segundo a Agrodefesa/GO (junho de 2026): babeira, feridas ou bolhas na boca, língua, úbere e cascos, manqueira, dificuldade para comer e febre.
- Declarar o rebanho. A regra é estadual. Em SP, a declaração é feita no GEDAVE (no 2º semestre de 2025, de 1º/11 a 15/12, segundo a Defesa Agropecuária SP). Em Goiás, em maio e novembro, no SIDAGO (Agrodefesa). Nos dois estados, quem não declara pode ficar sem emitir GTA (Guia de Trânsito Animal) e sofrer sanção.
- Andar com o trânsito em ordem. Segundo a Defesa Agropecuária de SP (maio de 2025), sem a vacina a defesa de SP reforçou a fiscalização do trânsito de animais no estado.
Outro efeito, apontado pela Nota Técnica 11/2023 da FAMEZ/UFMS: era comum dar vermífugo e outras vacinas junto com a aftosa, em maio e novembro. Esse "gancho" acabou.
Vacinas obrigatórias hoje: brucelose
Quem vacina. Pela Instrução Normativa SDA nº 10/2017, é obrigatório vacinar todas as fêmeas bovinas e bubalinas de 3 a 8 meses, em dose única. A norma usa a vacina B19, que em bovinos pode ser trocada pela RB51. São dois tipos de vacina de brucelose; a RB51 não interfere nos exames de rotina depois (FAMEZ/UFMS, 2023). Estados classificados como risco "A" ficam fora da obrigação.
O que é proibido. Vacinar macho de qualquer idade e usar B19 em fêmea com mais de 8 meses. Bezerra que passou dos 8 meses sem vacina deve ser regularizada com RB51 (IN 10/2017).
Quem aplica. Médico-veterinário cadastrado no serviço estadual é o responsável, mesmo quando usa vacinadores auxiliares. A vacina só é vendida com receita de veterinário cadastrado (IN 10/2017).
Marcação. As fêmeas vacinadas são marcadas no lado esquerdo da cara, a ferro quente ou nitrogênio líquido. Com B19, marca-se o último algarismo do ano. Com RB51, a letra "V". Há dispensa para fêmeas identificadas individualmente por sistema aprovado e para as de registro genealógico identificadas (IN 10/2017).
Comprovação. O dono tem de comprovar a vacinação ao serviço estadual pelo menos uma vez por semestre, com atestado do veterinário ou por sistema oficial (IN 10/2017).
A campanha nacional de 2026
A grande novidade do ano é a Portaria SDA/MAPA nº 1.633, de 12/06/2026 (publicada no Diário Oficial em 15 e 16/06/2026). Ela criou a Campanha Nacional de Vacinação de Bezerras contra a Brucelose, com dois períodos fixos:
| Período de vacinação | Prazo para comprovar |
|---|---|
| Janeiro a junho | Até 10 de julho |
| Julho a dezembro | Até 10 de janeiro do ano seguinte |
Estados com campanha própria podem manter seus prazos de comprovação, mas o período de vacinação segue o nacional. UFs de risco A estão fora. Em SP, o veterinário lança o atestado no GEDAVE em até 4 dias após vacinar (Defesa Agropecuária SP, dezembro de 2025). Em Santa Catarina, a CIDASC proíbe a B19 e só exige a vacina em rebanho com foco (site da CIDASC, consultado em outubro de 2026).
Segundo a FAMEZ/UFMS (2023), as duas vacinas são vivas e podem infectar quem aplica: use EPI (equipamento de proteção individual). Os prazos de comprovação podem ser outros no seu estado: confirme com o veterinário cadastrado e com a defesa sanitária estadual.
Raiva: quando a vacina é obrigatória
Pela Instrução Normativa MAPA nº 5/2002, a vacinação é sistemática nas áreas de ocorrência de raiva, que são as que tiveram caso confirmado nos 2 anos anteriores, em bovídeos (bois e búfalos) e equídeos a partir de 3 meses. Cada estado define as suas áreas:
- No Paraná, a Portaria Adapar nº 368/2025 tornou a vacina obrigatória em 30 municípios do Oeste a partir de 25/09/2025. (Agência Estadual de Notícias do PR).
- Em Goiás, a vacina é só recomendada, segundo a Agrodefesa (junho de 2026).
Confirme com seu veterinário e com a defesa sanitária do seu estado se o seu município está em área de vacinação obrigatória.
Em qualquer estado, avisar na hora suspeita de raiva, animal mordido por morcego e abrigo de morcego é obrigatório (IN 5/2002).
Um alerta da FAMEZ/UFMS: a incubação vai de 14 a 60 dias, então vacinar só quando o vizinho teve caso costuma ser tarde. A vacina só protege se a dose e o reforço vierem antes da exposição.
Vacinas recomendadas: clostridioses e reprodutivas
Não há obrigação legal. A escolha depende das doenças da região e da fazenda e do custo-benefício (FAMEZ/UFMS, 2023).
- Carbúnculo sintomático (manqueira). Segundo a FAMEZ/UFMS, só se previne com vacina e atinge mais os animais de 8 a 24 meses. A vacinação começa nos bezerros a partir de 3 a 4 meses, com reforço.
- Botulismo. A vacina entra quando há histórico ou risco sem controle: água com carcaça, alimento mal guardado, gado roendo osso por falta de fósforo (FAMEZ/UFMS).
- Reprodutivas (IBR, BVD, leptospirose). Aparecem como repetição de cio, aborto e bezerro fraco. A FAMEZ/UFMS (2023) pede diagnóstico antes de vacinar e lembra que elas rendem pouco se a nutrição e a brucelose não estão resolvidas.
Como montar o calendário de vacinação do gado de corte na sua fazenda
A dica mais útil da FAMEZ/UFMS: amarre o manejo sanitário às idas ao curral que você já faz, como desmama, diagnóstico de gestação, IATF (inseminação artificial em tempo fixo) e a vacina de brucelose das bezerras. Cada ida ao curral custa peso.
Modelo geral para o Brasil Central, ilustrativo. Ajuste com o seu veterinário ao seu estado, região e sistema:
| Quando | Categoria | O que entra | Fonte |
|---|---|---|---|
| Jan–jun e jul–dez | Bezerras de 3 a 8 meses | Brucelose; comprovar até 10/07 e 10/01 | Portaria SDA/MAPA 1.633/2026 |
| Maio e novembro (SP e GO) | Todo o rebanho | Declaração de rebanho | CDA/SP, Agrodefesa/GO |
| Maio, julho e setembro | Da desmama até 24–30 meses | Vermifugação estratégica | Embrapa (1995) |
| Julho ou agosto | Vacas | Vermifugação, antes do pico de parição | Embrapa (1995) |
| A partir de setembro | Touros e vacas | Preparo da monta (nov–jan): exame andrológico e testes dos touros | Embrapa (1998) |
| Fim da seca / início das chuvas | Rebanho | Controle estratégico do carrapato | Embrapa (2019) |
| Desmama | Bezerros | Reforços que o veterinário indicar | FAMEZ/UFMS (2023) |
| Antes de vencer a imunidade (a IN 5/2002 fala em até 12 meses) | Rebanho em área de raiva | Revacinação, no intervalo que o veterinário e a defesa do seu estado indicarem | IN MAPA 5/2002 e regra estadual |
Cuidado, segundo a FAMEZ/UFMS: produto com adjuvante oleoso pode atrapalhar a gestação. Leia a bula antes de aplicar algo na IATF ou no diagnóstico de gestação.
No Meu Agro, você cadastra vacinas e remédios e registra o manejo sanitário em Rebanho → Sanitário, e o app avisa quando chega a data no calendário.
Vermifugação e carrapato no calendário
Doença não é só a que mata. Verme e carrapato derrubam o GMD (ganho médio diário) antes de aparecer qualquer sinal.
Verminose. Segundo a Embrapa Gado de Corte (1995), quem mais perde é a categoria da desmama até 24–30 meses, e o esquema estratégico é tratar em maio, julho e setembro, na seca. Boi de engorda recebe vermífugo na entrada do pasto vedado ou do confinamento. A FAMEZ/UFMS (2023) lembra que esse esquema se apoiava nas datas da aftosa e precisa ser reajustado em cada fazenda.
Carrapato. A Embrapa (2019) recomenda tratar no fim do período desfavorável ao carrapato (fim da seca, início das chuvas), quando há poucas larvas no pasto, antes que a população cresça. A FAMEZ/UFMS sugere olhar o lote toda semana e, já nas chuvas, tratar quando mais de 30% dos animais tiverem carrapatos pequenos (menos de 4 mm) entre as pernas ou na barbela. A resistência muda de fazenda para fazenda; o produto é escolha do veterinário.
Vacinas, vermífugos e carrapaticidas entram no seu custo por cabeça-dia. Quando funcionam, o ganho a mais baixa o custo por arroba produzida.
Identificação individual: o que vem a partir de 2027
A Portaria SDA/MAPA nº 1.331, de 21/07/2025, fixou o cronograma do PNIB (Programa Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos):
- Até 31/12/2026: os estados adaptam seus sistemas.
- 01/01/2027 a 31/12/2029: começa a identificação individual dos animais vacinados contra brucelose e dos animais em protocolos privados homologados. Até 31/12/2029 eles precisam estar identificados e cadastrados. Nesse período, o trânsito de animais sem identificação ainda é permitido.
- A partir de 01/01/2033: fica proibido movimentar bovino ou búfalo sem identificação individual cadastrada.
Os estados podem antecipar prazos ou exigir mais. Ou seja: as bezerras vacinadas contra brucelose estarão entre as primeiras a precisar de identificação individual.
Erros comuns
- Achar que sem aftosa acabou a obrigação. Declaração de rebanho, GTA e notificação de suspeita continuam.
- Vacinar a bezerra e não comprovar no prazo da campanha.
- Vacinar contra raiva só depois do caso no vizinho.
- Comprar vacina reprodutiva sem diagnóstico.
- Manter o calendário do tempo da aftosa sem rever as datas com o veterinário.
Perguntas frequentes
Ainda preciso vacinar o gado contra aftosa?
Não. Desde 29/05/2025 o país é livre sem vacinação (OMSA). A Portaria MAPA nº 678/2024 proibiu usar, vender e guardar a vacina nos 21 estados e no Distrito Federal que ela lista — entre eles SP, GO, MG, MT e MS.
Minha bezerra passou dos 8 meses sem vacina. E agora?
Pela IN 10/2017, ela deve ser regularizada com RB51. Fale com o veterinário cadastrado.
A vacina contra raiva é obrigatória na minha fazenda?
Depende do estado e do município. Pergunte à defesa sanitária se a sua região é área de ocorrência.
O próprio peão pode vacinar contra brucelose?
Só como vacinador auxiliar cadastrado por um médico-veterinário cadastrado, que continua responsável (IN 10/2017).
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